Reforma Tributária

Tributação no destino e o fim da guerra fiscal nas indústrias

Com o IBS, a arrecadação passa a seguir o destino do consumo. Entenda por que essa mudança reduz a guerra fiscal e altera a concorrência entre indústrias.

Tributação do IBS no destino e seus efeitos sobre a guerra fiscal e a concorrência entre pequenas e médias indústrias
Autoria própria

Se a sua indústria concorre com empresas de outros estados ou já considerou instalar uma operação em determinada região por causa de benefício fiscal, a reforma tributária muda um dos principais fatores dessa decisão: a arrecadação do novo imposto passa a seguir o destino do consumo.

Por que a tributação no destino enfraquece a guerra fiscal

No sistema atual, parte do ICMS das operações interestaduais permanece com o estado de origem. Essa lógica incentivou estados a conceder benefícios fiscais para atrair fábricas, centros de distribuição e outras operações capazes de gerar arrecadação local. Em muitos casos, decisões de localização passaram a considerar mais a vantagem tributária do que a logística e o mercado atendido.

Com o IBS, a arrecadação será destinada ao estado e ao município de destino, conforme as regras do local da operação. Assim, o estado onde a indústria está instalada deixa de capturar a receita do imposto apenas por ser a origem da venda. Se conceder uma vantagem isolada, não preservará para si a arrecadação gerada pelo consumo realizado em outro local. É essa mudança estrutural que reduz o sentido econômico da guerra fiscal.

Como a mudança pode alterar a concorrência entre indústrias

  • Se sua indústria compete com empresas instaladas em estados que oferecem incentivos fiscais relevantes, a vantagem de preço desses concorrentes tende a diminuir progressivamente. A transição do ICMS para o IBS ocorrerá entre 2029 e 2032, com adoção integral do novo sistema em 2033.
  • Se sua indústria se instalou, ou pretende se instalar, em determinado estado principalmente por causa de benefício fiscal, vale simular a viabilidade da operação sem essa vantagem. A estrutura precisará continuar competitiva por logística, produtividade, mão de obra e proximidade dos mercados.

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  • A escolha de onde manter fábrica, estoque ou centro de distribuição tende a voltar para critérios econômicos e operacionais. Isso pode redesenhar cadeias de fornecimento e tornar estruturas criadas essencialmente por engenharia tributária menos eficientes.

O ponto de atenção para quem construiu vantagem sobre benefício fiscal

Empresas que sustentam parte relevante da margem em incentivos estaduais precisam simular, desde já, como ficarão seus preços e custos com a redução gradual desses benefícios e a incidência integral do IBS. Produtos com margens apertadas podem exigir reposicionamento de preço, revisão de fornecedores ou mudança na estrutura logística antes mesmo de 2029.

A CONTTROLARE é especializada em contabilidade, tributação e tecnologia para pequenas e médias indústrias. Nossa equipe pode ajudar a simular como sua indústria ficará posicionada diante da concorrência à medida que os benefícios fiscais estaduais forem reduzidos durante a transição.

Rafael Martins, especialista em gestão e finanças

Sobre o autor

Claudio Samogin

Diretor da Conttrolare - Especialista em Tributação, Finanças e Controladoria

Atua na direção da Conttrolare, conectando experiência empresarial de mais de 25 anos como Controller de empresa de grande porte, com gestão operacional e financeira para pequenas e médias indústrias, através de processos internos, planejamento estratégico, financeiro e análise de dados para apoio na gestão de clientes.